quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PIP: Transformando vidas por meio da ciência na escola

A Escola Estadual Stella Gonçalves, localizada na Guarita, Alecrim, esteve prestes a fechar as portas. A realidade de violência e tráfico de drogas ao redor da instituição levou muitos pais a tirarem seus filhos da escola e as aulas que antes aconteciam em três turnos, ficaram somente pela manhã. Mas, nos dois últimos anos, este cenário começou a mudar. A escola foi contemplada com  Projeto de Inovação Pedagógica (PIP) do Governo do RN, o que contribuiu para melhorar o desempenho da escola e hoje tem suas vagas disputadas pelos moradores da região.
“A escola tinha perdido muito a credibilidade. Mas com este projeto e o esforço da equipe pedagógica, está voltando a ter visibilidade. Os pais estão mais participativos e a comunidade está mais envolvida”, conta a dona de casa Rose Maria, mãe de Vitória, 8 anos, aluna da terceira série.
A representante dos pais no Conselho Escolar, Adriana Baracho, tem uma filha e uma neta estudando na Stella Gonçalves. Ela conta que há alguns anos a instituição sofreu com a evasão dos alunos devido à violência na vizinhança. Hoje em dia esse problema não assusta mais. “Aqui é tão seguro que a polícia não precisa fazer ronda no entorno da escola. Os pais querem que os filhos estudem aqui e disputam uma vaga todo ano”, relata.
No último mês, a instituição inaugurou o laboratório interdisciplinar com os recursos do PIP. Um ambiente criado para o professor realizar intervenção multidisciplinar com foco na ciência, com realização de réplicas da anatomia humana, experiências químicas, jogos matemáticos e inserção na leitura com livros literários. O espaço também conta com equipamento de multimídia para o desenvolvimento educacional dos estudantes.
A diretora da Stella Gonçalves, Mayra Oliveira, diz que com a chegada do laboratório, vai ser possível oportunizar aos alunos a iniciação científica, algo tão relegado a segundo plano no Brasil nos dias atuais. “Quando pensamos no laboratório, queríamos que os alunos tivessem contato com a parte prática. E nesse movimento de ter contato com o objeto, eles adquirem mais conhecimento. Com isso mudaremos os índices de aprendizagem da nossa escola”, projeta.
O laboratório foi construído para ser usado especificamente pelos estudantes do quarto e quinto ano, mas toda a comunidade escolar fará uso da estrutura. Segundo Mayra Oliveira, os pais dos alunos têm aprovado a nova realidade vivida pela instituição. “Só temos ouvido parabéns e desejos de que a escola continue buscando boas oportunidades”, registra.
Com a inauguração do laboratório, cresceu a expectativa em torno da abertura de um novo turno de aulas – o vespertino. “Antes tínhamos os três turnos, mas a escola foi morrendo aos poucos. As pessoas deixaram o bairro devido à insegurança e depredação da escola. Mas com este projeto tivemos um levante. A comunidade viu que a escola estava sendo vista pelo Governo do Estado e hoje já temos proposta para o turno da tarde e quem sabe o noturno não volta também?”, acrescenta.
O laboratório é interdisciplinar, logo os estudantes poderão ter aulas de todas as matérias no local. Na matemática, os jogos lógicos; em química, farão experimentos e poções; nas ciências humanas, irão conhecer todos os órgãos do corpo humano em miniatura e em tamanho real; na geografia e história, irão aprender com os livros, mapas e globo. Na linguagem, títulos didáticos e clássicos da literatura estão disponíveis para exercitar a língua portuguesa. Há ainda equipamento multimídia com data show para assistirem a filmes e realizarem videoconferências.
“Enquanto comprávamos o material ouvíamos de muita gente que até em escola particular era difícil encontrar um laboratório tão bem montado. Nosso objetivo é que a educação pública tenha essa qualidade. Estamos buscando a excelência, para que a escola seja vista para além dos muros”, enfatiza Mayra.
 


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